Sonhando “balançar as estruturas” em entrevista com Edir Macedo, Porchat garante que não será censurado na Record

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Anunciado oficialmente esta semana como novo contratado da Rede Record, o comediante Fábio Porchat revela em entrevista exclusiva seus planos para 2016 e as expectativas em torno de sua nova casa.

Porchat é mais um da nova geração de humoristas a ter seu próprio talk show – Danilo Gentili reina nas noites do SBT e Marcelo Adnet deve estrear ainda neste ano na Globo. O programa vem só no segundo semestre e, paralelo a ele, Porchat segue com o canal Porta dos Fundos, o programa “Tudo pela Audiência” (Multishow) e a peça “Meu Passado Condena”.  Se ele dá conta? “Normalmente, faria três filmes, quatro séries (risos)… Quando faço só uma coisa,  fico nervoso”, diz ele, que dá mais detalhes no bate-papo.

MIX OU MISTO_ Como foi a recepção que você teve aqui na Record?

FÁBIO PORCHAT_ Ah, foi muito legal. Foi bom que riram, graças a Deus. Para um comediante, as pessoas precisam rir, isso é o mais importante. Mas eu estou bem animado, porque eu vou ter tempo para trabalhar. Como é uma atração só para o segundo semestre, para depois dos Jogos Olímpicos, vou ter tempo pra fazer o programa do jeito que eu quero. É um talk show, mas eu ainda não sei nada: não sei formato, não sei quadros… Sei que é um talk show, que vai ter humor, claro, porque é a minha praia, mas agora começa a luta pra formar uma equipe, um monte de redator – porque eu quero ter um monte de redator –, procurar os atores que vão estar ali junto comigo, e começar.

MIX OU MISTO _ Como te marca esse momento da sua carreira?

É um divisor de águas, não só na carreira, mas como posicionamento mesmo, porque agora vou ser um apresentador. Claro que no “Tudo pela Audiência”, lá no Multishow, eu faço uma brincadeira com a Tatá (Werneck), mas aqui vai ser um programa meu, em que eu vou dar a minha cara, o meu jeito, então acho que é um divisor de águas mesmo. E fiquei muito feliz porque eu estou sendo muito bem recebido aqui na Record por todo mundo, desde os diretores até elenco. Eu conheci até alguns dos apresentadores, antes de vir. A própria Record falou pra mim, antes de assinar: “Conversa com eles”. E eu conversei. Falei com a Xuxa, com o (Marcos) Mion, com o César Filho… E eu fiquei muito animado porque todos eles falaram muito bem. Eu até pensava assim: “Será que alguém vai falar alguma coisa? A Xuxa, que entrou agora nessa coisa do ‘é ao vivo, não é ao vivo…’”. E ela falou: “Não, é ótimo, maravilhoso. Vai gravar onde?”. E eu falei: “Em São Paulo”, porque sei que vou gravar aqui. E ela: “Ótimo, lá é maravilhoso e tal…”. Então, as pessoas falaram superbem da liberdade, de possibilidades, de como a Record topa as coisas… É claro, é TV aberta, tem de dar audiência, é assim que é a vida. Você vai fazer o programa mais incrível do mundo, mas se der 1 ponto no Ibope, alguém vai falar: “Vamos mudar isso”. Mas, mais do que pensar em Ibope, agora eu estou pensando em fazer um bom formato, um bom produto. Não quero inventar a roda, não vou fazer um talk show pelado, voando, entrevistando aliens (risos). Então, acho que vai ser um formato de talk show mesmo, mas agora começa o trabalho.

MIX OU MISTO_ Você comentou que falou com algumas pessoas da emissora antes de assinar… Que dicas elas lhe deram?

Eles falaram muito que o primeiro ano é muito especial, porque é quando você pode botar todas as suas ideias, sem saber o que vai dar certo, e isso é muito bom, porque você pode ousar, arriscar, experimentar, sem a cobrança do Ibope inicialmente, porque o pessoal que trabalha aqui sabe que não adianta você, no segundo dia, querer que dê 10 pontos. Não vai acontecer, não é assim que funciona. Então eles falaram: “Aproveita esse primeiro ano pra formatar bem legal o seu programa, no ar mesmo, enquanto vai fazendo, vai vendo o que fez de errado, o que fez de certo, pra quando virar 2017 já ter ele mais redondinho”.

MIX OU MISTO_ E o que seduziu você nesse convite pra vir pra Record?

Acho que ter o meu programa já era uma coisa que eu queria, na TV aberta, acho que é um passo grande, um passo diferente, e a Record foi muito carinhosa mesmo. Ela me tratou bem, falou: “Vamos nessa! Vem que a gente vai te dar o seu espaço aqui”. Acho que foi a melhor proposta. Não digo financeiramente, digo de tudo, do espaço que me deram, o trato que teve comigo que foi muito bacana, o jeito de lidar, todo mundo aqui foi muito legal. O Paulo Franco (superintendente de programação da Record) é um cara muito bacana. O Diego Barredo, que é o cara da Eyeworks (produtora televisiva), ele é o verdadeiro responsável. Ele convenceu a mim e à Record (risos). Então, a culpa é toda dele.

MIX OU MISTO _ Os boatos de que você vinha pra Record surgiram já há um tempo, mas só agora se oficializou. Quanto tempo demorou até você assinar de fato?

Ih, foi bastante, porque teve um papo, aí depois teve de novo, aí sumiu, depois voltou, aí sumiu, voltou de novo… Boa pergunta, mas acho que, sei lá, isso já vem desde setembro… E nesse ano foi! Porque quando anunciaram: “Já está tudo certo!”, não tinha nada certo (risos). Anunciaram de tudo já, já vi que alguém falou que vai se chamar “Fábio Porshow”. Eu falei: “Pelo amor de Deus, não dá esse título horroroso pro meu negócio não” (risos). Já falaram que eu ia fazer um programa toda segunda, falaram que eu ia dividir com a Xuxa… Eu nem tinha assinado, falaram que tinha uma ciumeira na Record. Falei: “Imagina quando eu assinar então” (risos). Mas enfim, todo mundo falou e fala milhões de coisas, mas é só agora que vai começar a valer.

MIX OU MOSTO_ Como é o programa com que você sonha?

Não tenho a menor ideia, não sei de nada, sei que quero receber gente para entrevistar.

MIX OU MISTO_ Quem você gostaria que fosse o seu primeiro entrevistado?

O primeiro nome seria bom se fosse o (bispo) Edir Macedo, né? Pra já quebrar com tudo logo, ia ser maravilhoso…

MIX OU MISTO_ E o que você perguntaria para o Edir Macedo?

Se ele poderia me dar um aumento (risos). Acho que tem de ser assim, mas é só no segundo ano que aumentam (risos).

MIX OU MISTO_ Parece que liberdade para brincar no programa você vai ter, né? Até com o Britto Jr. você já fez piada…

Você vê? Mas acho que, no fundo, é TV aberta. As pessoas falam: “Ah, não vai ter liberdade”. Vou ter a liberdade que a TV aberta possibilita. E eu conversei sobre isso com a Record. Muita gente falou assim: “Ah, mas vai falar de religião?”. Mas qual talk show fala de religião? É raríssimo! O Bill Maher, nos Estados Unidos, fala muito especificamente. De um modo geral, nunca vi o Jô Soares falar de religião. O que eu perguntei foi assim: “Ah, vou poder receber o Padre Marcelo?”. E eles falaram: “Claro, óbvio!”. Eles não têm nenhum tipo de rejeição a isso, zero. Ao contrário, eles falaram: “Vai ser maravilhoso ter o Padre Marcelo. Vai dar Ibope”. Então, no fundo, é zero a interferência, zero “pode” ou “não pode”. Falaram: “Vai fundo, vai nessa”. E é legal que o Marcelo Silva, que é o vice-presidente, ele é muito fã de talk show. Então, quando eu cheguei aqui, ele falou: “Estava precisando de você pra gente fazer um talk show”. Ele assiste a todos e foi bacana que, sabendo que a coisa se avizinhava, eu fui para os Estados Unidos, fiquei uma semana lá para acompanhar a gravação da Ellen DeGeneres, vi o Jimmy Kimmel, assisti também a um programa chamado “The Real” e conversei com os showrunners (responsáveis), conversei com redatores, diretores, todo mundo lá da Warner… A Eyeworks me levou pra lá com o Diego Barredo, que vai ser o produtor do programa, e a gente acompanhou, fui muito bem recebido lá e já comecei a entender como os caras fazem, porque o talk show é de lá, né, tradicionalmente. Os caras têm, sei lá, cinco talk shows por noite: “Late Show”, “Late Late Show”… Então, no fundo, fui meio no berço e quero voltar para lá, acompanhar de novo, ver e entender, pra tentar trazer pra cá um pouquinho do que eles fazem.

MIX OU MISTO_ Tem algum apresentador em quem você se inspira?

Eu gosto de todos. Conan O’Brien é um de que gosto muito. A Ellen DeGeneres, apesar de não ser um late show (noturno), porque ela faz à tarde, eu gosto muito dela, acho ela engraçada, acho que ela não entrevista só os “famosões”, ela gosta de interagir também com o desconhecido, digamos assim. E acho que essa interação com a internet vai ser muito grande. Eu também venho de lá e a internet não é mais o futuro, é o presente e acho que vai estar totalmente conectada com meu programa. Não vai ser só aquilo: “Vamos ver o que os internautas dizem”. Vai ser muito mais a fundo do que isso. Não sei como, não tenho a menor ideia, mas vai ser.

MIX OU MISTO_ O programa vai ser no mesmo horário do Gentili e do Jô?

Vai ser à noite, de segunda a quinta, provavelmente no último horário antes do “Fala que Eu te Escuto” (risos). Eu vou falar isso: “E agora, com vocês, ‘Fala que Eu te Escuto’” (risos).

MIX OU MISTO_ Como ficam seus outros projetos, o Porta dos Fundos e o “Tudo pela Audiência”?

Sem problema nenhum. Vou gravar agora a terceira temporada do “Tudo pela Audiência” e vou lançar sem problema nenhum. Com o Porta dos Fundos é a mesma coisa, não tem problema. Ao contrário, acho até bom, porque eu trago pra Record o público do Porta, do Multishow…

MIX OU MISTO_ Você pode trazer esses parceiros pra fazer parte do talk show também?

Posso. Mas tenho de ver se eles querem vir (risos).

MIX OU MISTO_ E o que seus amigos do Porta e do Multishow acharam da sua vinda pra Record?

Eu informei eles agora, meio de última hora, porque eu não estava querendo dizer pra ninguém (risos). Mas todos deram muita força. Acho que essa é uma nova geração e, no fundo, é até simbólico esse ser o último ano do Jô, porque é um ano em que o Danilo (Gentili) está lá no SBT superfirme, eu estou vindo aqui pra Record, o Adnet vai ter o programa dele na Globo… Eu acho muito legal, parece uma geração tomando um bastão, tomando as rédeas de uma situação. Pode dar tudo errado, explodirmos todos, ou pode dar supercerto, como o Danilo está dando. Acho que o bom é essa geração estar indo, trabalhando, fazendo as coisas de um jeito que ela quer fazer.  O Jô é tão grande que precisa de três pra pegar o bastão dele.

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