Benedito Ruy Barbosa e a polêmica gay

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Gostaria muito de poder amenizar ou imaginar que a imprensa costuma potencializar as coisas para vender jornais ou conquistar cliques. Em muito dos casos, a imprensa é sim altamente carniceira, como urubus em busca da próxima carniça a ser devorada. Mas no caso envolvendo o autor Benedito Ruy Barbosa a situação poderia ter sido mais amena se o mesmo não fizesse questão de reafirmar e piorar as coisas.

Prestes a estrear a sua nova obra, o autor Benedito Ruy Barbosa declarou em entrevista, no lançamento de sua novela, “Velho Chico” as seguintes afirmações:

“Odeio história de bicha. Pode existir, pode aceitar, mas não pode transformar isso em aula para as crianças. Tenho dez netos, quatro bisnetos e tenho um puta orgulho porque são tudo macho pra cacete.”

Os defensores de plantão poderão utilizar a tese do direito de expressão, e com certeza, todos possuem o direito de expor a suas opiniões, sejam elas quais forem. Mas oque está em cheque não é o direito do autor e sim, a forma e as palavras usadas para expor tais opiniões.

Benedito Ruy Barbosa é fatídico ao afirmar que “odeia história de bicha.” A palavra “bicha” por si só já demonstra o total desrespeito e falta de educação do autor perante uma grande parcela do público que consome cultura e porque não, televisão no Brasil.

E quando falamos em cultura e arte, em sua maioria são essas “bichas” ao qual o autor declarou odiar as histórias, que fazem com que não somente suas novelas, mais todos os outros meios artísticos aconteçam.

Para piorar, o autor demonstra de forma clara que essas suas opiniões não diz respeito ao demasiado numero de personagens homossexuais presentes nas últimas produções da emissora, mas leva para um lado extremamente pessoal ao utilizar de forma engrandecedora a orientação sexual de seus respectivos parentes declarando “ter um puta orgulho por ter dez netos; quatro bisnetos macho pra cacete.”

Será que alguém que tenha um filho ou neto com uma orientação sexual diferente da sua deva ter vergonha deste, por não ser “um puta de um macho?”

Será que a existência de um personagem homossexual em uma novela, representado grande parte da população serviria de mal exemplo para crianças, servindo como uma espécia de aula, influenciando moralmente essas ao ponto de “transforma-las” em homossexuais?

Sendo assim, se a televisão pode exercer essa função, porque então em anos de exibição de produtos que reproduzem unicamente os padrões básicos de relacionamento (homem-mulher) ainda existem estes ao qual o autor prefere se referir como “bichas”?

Em dado momento da entrevista, sua filha e também autora da novela Edmara ao perceber o perigo das declarações do autor tentou interromper, mas este continuou:

“Deixa eu falar, ué. É a minha opinião. Não sou contra, não acho errado. O que acho é que quando eu tenho na mão 80 milhões assistindo minha novela, tenho que ter responsabilidade com as pessoas que estão me assistindo. Tenho que saber que tem muito pai que não quer que o filho veja, porque eles não sabem explicar, não sabem como colocar. Muita gente reclama disso para mim. O que não é justo é você transformar: só é normal o cara que é bicha, o que não é bicha não é normal. A mulher que é sapatona é perfeita, a que não é sapatona não é legal. É assim que estamos vivendo.”

Me desculpe Benedito Ruy Barbosa, mas se compararmos no número de personagens existentes em uma novela, ao número de personagens homossexuais, a porcentagem é praticamente nula.  Sem falar que se sua maior preocupação é com a responsabilidade que você tem como autor, que possui nas mãos 80 milhões de pessoas assistindo, esse seu senso de responsabilidade deveria estar também na consciência de que grande parte desses 80 milhões que te assiste, é constituída desses ao qual você chama de “bichas”.

E quanto ao que você diz ao declarar que “sabe que tem muito pai que não quer que o filho veja, porque eles não sabem explicar, não sabem como colocar , te digo uma coisa. O grande culpado da falta de conhecimento e de informação desses pais está nas mãos de pessoas como você, que preferem tampar com lenções de seda toda a sua hipocrisia e ignorância.

Para terminar, quando você diz que “O que não é justo é você transformar: só é normal o cara que é bicha, o que não é bicha não é normal. A mulher que é sapatona é perfeita, a que não é sapatona não é legal. É assim que estamos vivendo.” Só digo uma coisa:

Normal não é ser “bicha ou macho”. Normal não é ser “sapatona ou mulher”. Macho qualquer animal que possui a genitália masculina é, isso independe de sua sexualidade. E quando você usa a palavra “sapatona” para se referir a quem se relaciona sexualmente com outra mulher, se esquece que esta também é uma mulher, pois assim como as que você considera “normal”, também possuem a genitália feminina.

Oque podemos considerar normal ou anormal é o caráter e a idoneidade das pessoas. Suas formas de pensar e agir, isso sim podemos dizer que é normal ou anormal. E anormal para mim são as suas opiniões, assim como sua forma de pensar.

Ao declarar tais coisas, você perdeu uma ótima oportunidade de manter a boca fechada.

 

 

 

 

 

 

 

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