Qual será o grande “erro” de “Velho Chico” para conseguir a atenção do telespectador

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Tenho observado atentamente à recepção de “Velho Chico” junto ao grande publico e tenho me surpreendido com duas vertentes de uma mesma linha, a transformando em um produto que divide opiniões.

Os elogios e críticas são os mais diversos. enquanto elogia-se a iniciativa da Rede Globo em apresentar algo diferente no horário – na ambientação (foge do eixo Rio-São Paulo), na abordagem menos realista e na estética. Ao mesmo tempo, estes que são as grandes qualidades e diferenciais da trama das 21 horas, torna-se seus grandes empecilhos para arrebatar um número amplo de telespectadores.

Critica-se e elogia-se pelos mesmos motivos, definindo-à como uma “novela diferentona”.

Verdade, “Velho Chico” é mesmo “diferentona” e causa estranhamento em quem estava habituado à mesma narrativa por décadas a fio. Não é só a fotografia, a luz, a caracterização e o suor dos atores. Os tempos da narrativa são outros. Muitas vezes, a edição contrapõe cenários e diálogos para um mesmo seguimento de ação. Enquanto Afrânio (Rodrigo Santoro) planeja com seu capanga Clemente (Júlio Machado) uma ofensiva contra a fazenda da vizinha Eulália (Fabíula Nascimento), ela está em sua casa resolvendo com Miro (Chico Diaz) a melhor forma de se defender do inimigo. Os dois diálogos seguem intercalados, até que se concluam as cenas. Moderníssimo e ao mesmo tempo um regresso ao estilo das narrativas passadas, onde muitas das vezes personagens em cenas distintas “respondem” diálogos de outras cenas.

 

Outro diferencial é a ação sem diálogo que obriga o telespectador a assistir a novela e a prestar atenção – e não somente a ouvir. Várias das belas sequências de “Velho Chico” dispensaram o diálogo e focaram apenas na imagem com a trilha sonora. Esse tipo de narrativa andava há décadas esquecida em nossas novelas. Chega a ser uma ousadia nesses tempos de concorrência acirrada com outras mídias. Era mais fácil lá nos idos de “Pantanal” (1990), quando a televisão ainda reinava absoluta como forma de entretenimento preferida (ou única) do brasileiro.

Velho Chico” é uma produção que extrapola o imediatismo supérfluo explorado exaustivamente nos últimos folhetins da emissora e como produto visual possui uma grife belíssima, e uma narrativa que está mais para o cinema, necessitando de um mínimo de atenção de quem está assistindo.

Talvez esteja ai o grande motivo para que “Velho Chico” ainda não tenha caído nas graças do grande público. Em uma geração onde estamos acostumados a fazer mil coisas ao mesmo tempo, explorando o máximo possível as segundas e terceiras telas tecnológicas, parar e apreciar um bom texto possa parecer para muitos uma grande perda de tempo.

 

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