“Velho Chico” é a prova viva de como é possível estragar uma obra

vdgf

Grandemente esperada não somente pelo público, mas principalmente pelos executivos e diretores da Globo, que tinha em “Velho Chico” a esperança de reconquistar não somente o público, mas também o respeito na teledramaturgia da emissora, “Velho Chico” até que conseguiu em seus primeiros capítulos chamar a atenção do público e da crítica.

Com uma história densa e personagens fortes, a trama apresentou-se como um dos grandes acertos da emissora, trazendo de volta os chamados “novelões”, romances que fizeram grande sucesso na emissora.

Apesar de não alcançar grandes índices de audiência, e de sofrer uma boa queda se compararmos os números da estreia, a trama das 21 horas até que conseguiu manter-se estável dentro do possível, oscilando na casa dos 30 pontos.

Um bom produto que tinha tudo para arrebatar ao longo do tempo público e porque não, ser um dos melhores produtos do ano, mas como diz o ditado popular “para piorar basta começar”.

Essa colocação nunca se encaixou tão perfeitamente quanto à “Velho Chico”. Bastou começar a nova fase para cair por terra toda boa impressão causada pela primeira fase da novela e sem dúvida alguma, essa nova fase parece não ter caído no gosto dos telespectadores.

Os telespectadores estão torcendo o nariz para a mudança de fase e o motivo é a destruição dos personagens. A passagem do tempo é um recurso comum usado pelos autores, mas, no caso de Velho Chico, não agradou. Até a diretoria da emissora encomendou mudanças diante da rejeição.

Os problemas são amplos. Vão das interpretações desconectadas, que destruíram a alma dos personagens construídos na primeira fase, a um figurino irreal e totalmente fora de seu tempo.

gkdjg.PNG

O coronel Afrânio da primeira fase foi magistralmente interpretado por Rodrigo Santoro. O filho de coronel que não queria para si o mesmo destino se acabava na capital em festinhas lisérgicas, curtia a vida e teve de abandonar tudo para assumir o lugar do pai a contragosto. Isso fez dele um cabra soturno, atormentado. Ainda na primeira fase, Afrânio já surge mais velho, com a filha (Maria Tereza) já mocinha. No entanto, o que se viu no salto de quase 30 anos na história causou estranheza.

Antônio Fagundes retorceu o personagem moldado por Santoro. Entrou em cena aquele tipo clássico já feito pelo ator em novelas rurais — o “novo” Afrânio tem trejeitos parecidos com os de Bruno Mezenga, em O Rei do Gado. O coronel vivido na primeira fase por Santoro não combina com o da nova fase. Ou Santoro tirou tudo aquilo da sua cabeça e improvisou, ou foi Fagundes que resolveu criar um outro personagem.

bfgdl.PNG

Outro personagem totalmente estragado nessa nova fase é a pobre Maria Tereza de Sá Ribeiro! A filha de Afrânio, que na primeira fase foi interpretada com garra e ousadia pela jovem Julia Dalavia, virou uma chorona histérica nas mãos de Camila Pitanga. O frescor e a jovialidade de Julia, que emocionou o público tanto em suas cenas de amor com o Santo de Renato Góes, como no abandono no colégio interno e no flagrante que deu em Santo e Luzia, se perdeu na pele de Pitanga. Camila é outra que parece viver sempre a mesma personagem, nervosinha, destemperada e escandalosa, nada a ver com a natureza forte de Maria Tereza.

khjjj.PNG

Depois do coronel Afrânio de Fagundes, a transformação mais drástica foi de Iolanda. A personagem, que era uma cantora sensual e apaixonada na primeira fase, vira uma perua do agreste, sem nenhuma conexão com o que foi na juventude. Tudo bem que as pessoas mudam, mas Christiane Torloni parece muito pouco à vontade na pele de Iolanda. Parece que jogaram uma de suas peruas urbanas, como a Tereza Christina criada por Aguinaldo Silva, lá no meio do sertão.

Também há uma estranheza em Velho Chico no que diz respeito ao figurino. Se a trama realmente deu um salto de quase 30 anos, o que significam as roupas usadas pelo elenco? Parece que todo mundo parou no tempo, nada nos figurinos remete à atualidade. Onde Iolanda descola aqueles looks anos 40? E Afrânio então? Sem falar que todo mundo vive cheio de sobreposições, o que deve fazer a galera derreter naquele sol do sertão.

Sem falar nos constantes erros técnicos que a trama apresenta, onde em certos casos são grotescos até mesmo para iniciantes e/ou estudantes.

jghlj.PNG

Um dos poucos acertos – ou único – dessa nova fase fica por conta do personagem Santo. Se não é um bonitão à altura do novato Renato Góes, que fez um Santo de ajoelhar e rezar na primeira fase, Domingos Montagner pelo menos não detonou o personagem. Santo segue sendo como sempre foi, o que em se tratando de Velho Chico já é um alivio.

É triste ver como conseguiram pegar um produto que vinha conseguindo cumprir seus objetivos, chamando a atenção positivamente e estragar de tal forma tornando-o indigerível de assistir, ao ponto de causar até mesmo nos telespectadores mais dispersos uma espécie de repulsa à trama.

Eu como telespectador já desistir de tentar me esforçar para acompanhar a trama pois de “Velho Chico” não se pode esperar mais nada de positivo. Que venha a próxima!!!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s