Rainha má de “Os Dez Mandamentos” é inspirada em “House of Cards”


Em cena, Francisca Queiroz precisa se segurar para não deixar escapar uma risada de rainha má da Disney. Afinal, estar na pele da impiedosa Elda de “Os Dez Mandamentos – Nova Temporada” é, de certa forma, realizar o sonho de infância de qualquer menina que já fantasiou ser uma princesa. Mas a inspiração para encarnar a mulher de Balaque (Daniel Alvim) na novela bíblica vem de outra figura poderosa da ficção que nem coroa usa mas é tão manipuladora quanto: Claire Underwood, vivida por Robin Wright na série “House of Cards”.

“Fico pensando no casal, naquela mulher, em tudo que eles fazem para a manutenção do poder. Eles não são indivíduos, vira uma simbiose”, conta Francisca, que brinca “não ter coluna” para ter uma postura parecida com a da atriz americana.

A personagem, que já se envolveu com Balaão (Leonardo Vieira) no passado, não resiste a uma reaproximação do feiticeiro nos próximos capítulos e passa a noite com ele. Seria ela capaz de matar o rei se for preciso?

“Não me surpreenderia. Ela é ambiciosa, se sentir que está perdendo, que está em risco, faria com dor, mas faria. A última temporada de ‘House of Cards’ mostra um pouco esse pensamento: se ele for, fico eu. Essas pessoas nesses lugares de disputas se desconectam de certos valores, são feitas de outro material. Se começa a ter empatia, se a pessoa se coloca no lugar do outro, não parte para cima na hora que é matar ou morrer. Você vê isso na nossa política: cai só você, eu finjo que nunca fui seu aliado”, compara.

Outra série que ajudou a atriz a entrar no universo da personagem foi “Roma”, que retrata uma sociedade com outros valores, como o reino de Moabe. “São costumes muito diferentes dos de hoje, eles não tinham pudores em relação a um monte de coisa nem tanta influência do cristianismo. Eles são pagãos, era outra moral. A rainha queimou o único filho dela na fogueira por conta dessa fé tão louca. ‘Roma’ me situou nesse lugar”, conta.

 

No entanto, por mais que o sacrifício para a deusa Baal tenha sido motivado por sua crença, abrir mão da criança deixou marcas na personagem. É essa amargura, inclusive, que denuncia um traço de humanidade nela, defende a intérprete.

“Não dá para não sofrer. E depois disso, ela não conseguiu ter outros filhos. Ela deu a criança na intenção de ter uma prole enorme, mas isso não aconteceu. É muito forte. A coisa que eu mais amo na vida são as minhas filhas. Essa amargura puxa Elda para as trevas”, analisa a mãe de Joana, 5 anos, e Celeste, 8 meses.

Separar-se das duas, aliás, é um pequeno sofrimento que a atriz cumpre com um misto de prazer e culpa. Compartilhando do mesmo drama de milhões de mães, a atriz resolveu fazer um desabafo recente no seu Instagram sobre esse insolúvel dilema da maternidade.

“Às vezes a gente passa uma ideia de glamour, de um trabalho que não é trabalho. Mas é! Passo o dia inteiro fora de casa, recebo fotos dizendo: ‘Olha o que ela fez’, quero chorar. Fico dividida. Chego em casa acabada, tenho que estudar, e a mais velha pede para levá-la na escola. Tiro força não sei de onde. Sou uma pessoa privilegiada, tenho uma babá, tenho minha sogra, mas é uma escolha de cada um. E toda escolha tem uma renúncia”, analisa ela, que quer também ser um exemplo para as filhas. “Quero que elas busquem a realização delas”, afirma.

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