“A Lei do Amor”, uma novela com mais problemas do que soluções


Já se passaram 42 capítulos e “A Lei do Amor”, atual trama das 21 horas da Rede Globo, ainda não disse -ao menos positivamente- à que veio. Mesmo já tendo se passado mais de um mês da estreia, a trama não consegue conquistar um grande público, e caminha cada vez mais para se descaracterizar de sua proposta original.

Com média em torno de 25,5 pontos em São Paulo, “A Lei do Amor” sofre por conta de vários problemas na execução dos personagens, tornando-os sem inexpressivos e sem personalidade.

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Principal vilão da história, Tião Bezerra, interpretado por José Mayer não tem suas características bem delineadas, um dos principais erros visto que é o antagonista (vilão) que faz com que a história de desenrole. Tião Bezerra é um vilão inexpressivo; sem sal, que não consegue despertar nenhum sentimento. Nem é odiado, nem diverte o público.

O Tião Bezerra,  vilão da novela, é bastante diferente do Tião Bezerra apresentado no site da novela. No site ele é descrito como “Inteligente, sagaz, arguto, reservado, mais age do que fala”. Se analisarmos com o que foi mostrado até esse momento, o personagem é totalmente diferente do tipo verborrágico, nada reservado e pouco sagaz da novela.

O site da Gobo diz ainda: “Possui grande talento para os negócios, tem o toque de Midas. Tudo que toca vira ouro.” Para o espectador, este talento é um mistério. Tião é dono de uma holding, mas desde que a novela começou o empresário não mostra o menor tino para os negócios.

Na trama, todo esse talento para os negócios é deixado de lado e o personagem vive de forma obcecada preocupado exclusivamente em se aproximar de Magnólia (Vera Holtz), para se vingar de uma maldade do passado; forçar o casamento da filha Letícia (Isabella Santoni) com Tiago (Humberto Carrão) e infernizar a vida da mulher, Helô (Claudia Abreu).

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Outro problema é a interpretação de José Mayer. No seu primeiro papel de vilão, o ator ainda luta para encontrar o tom certo. Ora deixa escapar um sorriso irônico, que não combina com as cenas sérias, ora confunde frieza com inexpressividade em situações dramáticas. É um caso raro de vilão sem carisma.

Autores da trama, Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari estão tendo dificuldades em delinear não somente Tião, mas diversos personagens.

Vivida pela atriz Isabella Santoni, a personagem Letícia é outra que exagera na caricatura da personagem chatinha cujo a função na trama é irritar o espectador. Imatura, é manipulada pelo padrasto, Tião, e se volta contra a mãe, Helô, e a partir de agora contra o pai, Pedro (Reynaldo Gianecchini). Faz tudo errado, o tempo todo – um exagero, claro, dos autores.

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Como em uma novela mexicana, Isabella Santoni se entrega ao papel sem sutileza alguma, sem deixar margem para dúvidas na cabeça do espectador. E isso é tão chato quanto a chatice da personagem. Letícia se tornou uma personagem previsível, vivida por uma atriz que parece ter um ponto eletrônico no ouvido repetindo para ela: “seja chata, seja irritante”.

Anunciada como uma trama política- a novela fora até mesmo adiada para não coincidir com o período eleitoral- “A Lei do Amor” deixa bastante à desejar nesse quesito, decepcionando quem esperava assistir algo mais sólido e realista. O que a novela está mostrando até agora é uma enorme decepção. Há uma história de corrupção e política na novela, mas está sendo tratada de forma caricata e superficial.

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O senador Venturi acaba de ser cassado, como se isso fosse a coisa mais simples do mundo, sem que os autores tenham oferecido qualquer pano de fundo. Talvez por não ter elementos suficientes para caracterizar o personagem, Otavio Augusto está construindo um senador bufão, de comédia, esvaziando o sentido da trama. Um desperdício.

A Lei do Amor” também peca no excesso de dramas familiares envolvendo pais e filhos. A patricinha Camila (Bruna Hamú) tem vergonha da madrasta, Luciane (Grazi Massafera), e vai se arriscar como garota de programa. Jéssica (Marcella Rica) tem vergonha da mãe, Salete (Claudia Raia), e vai ganhar a vida como garota de programa. Aline (Arianne Botelho) tem desprezo pela origem humilde dos pais, Yara (Emanuelle Araújo) e Misael (Tuca Andrada), e se torna a vilã júnior da novela. Personagens e dramas muito parecidos, o que leva a pensar na falta de história para tantos personagens.

Caso continue desta maneira, “A Lei do Amor” caminha à passos largos para se tornar mais um produção fracassada da Globo, algo que a emissora têm se especializado nos últimos anos a fazer.

Leia mais em: MIX OU MISTO

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2 comentários sobre ““A Lei do Amor”, uma novela com mais problemas do que soluções

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