‘Dois Irmãos’ tem adaptação sensível e poética


Livro de Milton Hatoum foi transformado em minissérie por Maria Camargo e Luiz Fernando Carvalho

Afeito a levar obras literárias para as telas, o diretor Luiz Fernando Carvalho não decepciona com Dois Irmãos, minissérie em dez episódios que estreou nesta segunda-feira, na Globo, baseada no livro de Milton Hatoum. Parceiro de Maria Camargo, responsável pelo texto, na empreitada, Carvalho volta a exibir seu estilo teatral, sensível e poético na adaptação e apresenta ao público o universo criado pelo escritor no romance, vencedor do Prêmio Jabuti em 2001.

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A história se passa em Manaus entre as décadas de 1920 e 1980 e acompanha a trajetória de uma família de origem libanesa estabelecida no Brasil, pincelando também alguns dos acontecimentos históricos do país no período. O foco é centrado nos dois irmãos gêmeos, Omar (Enrico Rocha/ Matheus Abreu/ Cauã Reymond) e Yaqub (Lorenzo Rocha/ Matheus Abreu/ Cauã Reymond), que desde a infância vivem entre desentendimentos e brigas.

Zana (Juliana Paes) é mãe de Yaqub (Lorenzo Rocha) e Omar (Enrico Rocha)

Omar é expansivo, festeiro e irresponsável, além de o preferido da mãe, Zana (Gabriella Mustafá/ Juliana Paes/ Eliane Giardini). Já Yaqub é quieto, introspectivo e esforçado na escola. Em torno dos gêmeos orbitam a mãe, o pai, Halim (Bruno Anacleto/ Antonio Calloni/ Antonio Fagundes), a irmã mais nova, Rânia (Letícia Almeida/ Bruna Caram), a empregada da família, Domingas (Sandra Paramirim/ Zahy/ Silvia Nobre), e o filho dela, Nael (Theo Kasper/Ryan Soares/ Irandhir Santos), o narrador da produção. Também há Lívia (Monique Bourscheid/Bárbara Evans), alvo da disputa dos irmãos na adolescência.

Pelo que se pode ver no primeiro episódio da minissérie, a adaptação de Maria Camargo é fiel, mantendo, em linhas gerais, o que conta Hatoum no romance. O destaque do trabalho fica mesmo com Luiz Fernando Carvalho, que na série coloca mais cor e dramaticidade ao que é apresentado no livro, de linguagem mais enxuta.

O estilo característico do diretor, já visto no cinema em “Lavoura Arcaica” e na televisão em produções como “Hoje É Dia de Maria”, “Capitu” e “Velho Chico” aparece com força em “Dois Irmãos”. O filtro mais amarelado que faz o público sentir o calor do Norte, as composições pouco óbvias das sequências e a fotografia que valoriza tanto as cenas fechadas no rosto de um personagem quanto as abertas, que mostram a Amazônia. Está tudo lá. E isso é ótimo.

É justamente esse estilo característico do diretor o que pode levar alguns telespectadores à sensação do já ter visto algo parecido antes. A estética de “Dois Irmãos”, seja pelo figurino; pela coloração da imagem; cenários e construção dos personagens, tudo é bastante parecido com outras produções já feitas Luiz Fernando Carvalho, o que não se torna um defeito para “Dois Irmãos”.

Leia mais em: MIX OU MISTO

 

 

 

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